A MARCHA DA INSENSATEZ
Mohamed Bouazizi, era um jovem tunisiano de 27 anos de idade, nascido na cidade de Ben Aros e licenciado em informática.
Desempregado, vendia frutas e legumes numa banca de rua, a fim de contribuir para a subsistência de sua família.
As autoridades da cidade depois de tentar por diversas vezes extorquir dinheiro de Bouazizi confiscaram seu carrinho de frutas, alegando ser ilegal a venda ambulante na Tunísia.
Bouazizi foi humilhado publicamente quando uma funcionária municipal lhe deu um tapa no rosto e cuspiu nele, confiscando sua balança e jogando fora suas frutas. O fato de ela ser uma mulher, tornou a humilhação ainda maior.
Bouazizi, foi à sede do governo regional para tentar defender seu caso com o governador, pois tinha poucas opções para ganhar a vida.
Após receber um não ao seu pedido, desesperado, sem perspectivas de futuro, em protesto, imolou-se em frente à Prefeitura.
Bouazizi deixou uma mensagem para sua mãe no Facebook pedindo perdão por ter perdido a esperança em tudo.
"Estou viajando mãe. Perdoe-me. Reprovação e culpa não vão ser úteis. Estou perdido e está fora das minhas mãos. Perdoe-me se não fiz como você disse e desobedeci suas ordens. Culpe a era em que vivemos, não me culpe. Agora vou e não vou voltar. Repare que eu não chorei e não caíram lágrimas de meus olhos. Não há mais espaço para reprovações ou culpa nessa época de traição na terra do povo. Não estou me sentindo normal e nem no meu estado certo. Estou viajando e peço a quem conduz a viagem esquecer. - Mohamed Bouazizi
"Se os homens pudessem aprender da história, que lições ela poderia nos ensinar? Mas a paixão cega nossos olhos, e a luz que a experiência nos dá é a de uma lanterna na popa, que ilumina, apenas, as ondas que deixamos para trás" - Samuel Taylor Coleridge
Barbara Tuchman no epílogo de sua A Marcha da Insensatez (1984) comenta que a imagem de Coleridge é bela mas enganadora pois a luz que ilumina as ondas que passaram poderia nos ajudar a inferir as ondas que vem à frente.
Já Roberto Campos, na introdução de suas memórias, A Lanterna na Popa (1994) comenta a citação do poeta Coleridge como: "auto-indulgente e lastimou "por não ter inteligência e profundidade para erguer um farol que lançasse um facho de luz para as futuras gerações". Para os marinheiros, todavia, "a lanterna na popa não ilumina só as águas à popa; orienta os barcos que a seguem"!
Ambos os livros deveriam ser lidos e relidos, por todos os brasileiros que se interessam pelos caminhos da sociedade brasileira e procuram explicações para a insensata adoção, por nossos governantes, de políticas contrárias aos seus próprios interesses e do Brasil.
Ambos livros justificam a tese de que a causa fundamental, da insensatez e do desatino de nossos governantes é a covardia moral, a venalidade, a impotência da razão ante os apelos da cobiça, da ambição egoísta pelo poder "a mais flagrante de todas as paixões" (Tácito).
Como explicar, portanto, a insensatez das pesquisas que dão a entender que o povo brasileiro está feliz? Que tudo vai bem?
Estamos entre as 10 maiores economias do mundo, mas ocupamos a 75ª posição no ranking do índice de desenvolvimento humano (IDH); a 56ª posição do índice de competitividade global no ranking do Fórum Econômico Mundial; o 114º colocado (entre 126 países) em desigualdade de renda; o 9º colocado no ranking dos piores países com pior saneamento básico (perderemos de países como Nigéria, Sudão e Nepal); o 53º no ranking da educação, atrás do Chile, Uruguai, México e Colômbia segundo a OCDE.
Como explicar a passividade frente à trágica perda de vidas humanas, à sucessão de escândalos, da mais descarada corrupção, da impunidade de um judiciário inoperante, da vergonha da falta de infra-estrutura nos transportes, do aumento da violência, de um sistema de saúde que mata ao invés de salvar vidas!
Como explicar que temos um congresso (que não legisla) e é o 2º mais caro do mundo (só perdemos para os Estados Unidos).
Como explicar os 22,000 cargos de confiança que só servem de moeda de troca, barganha de poder e mais corrupção!
Como explicar que um partido como o PT, irreconhecível em face do que disse que seria em sua fundação, esteja abraçado solidariamente ao que existe de mais emblemático, reacionário e arcaico da política brasileira.
A Reforma Fundamental
Nossa marcha da insensatez vem dos anos 30 e da instituição do voto proporcional este sim o principal responsável pela crônica auto-hipnose, pelo cinismo, pela perda de confiança e distanciamento dos cidadãos brasileiros da política e de seus governantes.
O voto proporcional nos levou à ruptura e aos militares. O voto proporcional e todos os casuísmos da transição lenta e gradual e segura nos trouxe de volta à democracia inútil!
O fato é que da ditadura fez-se a democracia! Sem uma reforma eleitoral radical hoje temos a ditadura das oligarquias: a vanguarda do retrocesso!
O sistema político brasileiro é uma farsa de democracia! Trocamos de uniforme! Do militar, pelo civil conservador da oligarquia dominante!
A liturgia do voto inútil a cada 2 anos não é avanço nem democracia! É o retrocesso que avança recuando a cada 2 anos!
Temos uma oposição e situação conservadoras, que buscam exclusivamente manter o "status quo", sem redistribuição do poder político. Democracia é o direito à igualdade de direitos, bens e oportunidades perante a lei!
Só uma reforma eleitoral profunda pode nos livrar de nossa marcha da insensatez!
Há 25 anos discutimos o tema da reforma política e o máximo que conseguimos foi o casuísmo da implantação da reeleição em 1997. Outra demanda, a da fidelidade partidária, foi instituída pelo TSE!
A cláusula de barreira, que limita o número de partidos foi declarada inconstitucional! Existem 31 pedidos de inscrição de legendas no TSE o que poderia elevar de 27 para 58 o número de partidos em 2011!
E a lei da ficha limpa que estipulava que políticos condenados em primeira instância não poderiam concorrer as eleições enquanto não fossem absolvidos? Mais casuísmo!
"A política não segue um desenvolvimento linear: é feita de rupturas que parecem acidentes para a inteligência organizadora do real!" (Rémond)
Faço minhas as palavras de Mohamed Bouazizi à sua mãe:
"Não há mais espaço para reprovações ou culpa nessa época de traição na terra do povo"
É hora de ruptura! É hora do voto distrital!
Assine o abaixo-assinado "Eu Voto Distrital" pelo Voto Distrital e divulgue para seus contatos. Vamos juntos fazer democracia!
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N5962